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Ativa Pedaço

O Ativa Pedaço é uma iniciativa que busca melhorar a qualidade da experiência das pessoas no espaço público. Nossa estratégia consiste em lançar mão de ferramentas que permitam a compreensão dos contextos específicos e desenvolver pequenos projetos de intervenção urbana que contribuam para a ocupação da cidade de uma maneira menos funcionalista. Com o intuito de que essas ferramentas possam ser apropriadas por outras pessoas, potencializando a iniciativa, desenvolvemos também um guia ilustrado interativo apresentando o processo percorrido.

A Praça dos Estivadores havia acabado de ser inaugurada. Percebia-se que durante o dia era pouquíssimo usada. Propomos então criar mais espaços sombreados na praça para que ela fosse usada durante todo o dia e não somente como local de passagem. A ideia inicial do projeto era criar uma cobertura que pudesse utilizar as preexistências da praça para ser fixada. Além disso, a facilidade de ser replicada e a modularidade foram questões importantes para o desenvolvimento do projeto.

Além do sombreamento, tínhamos também uma preocupação com a travessia de pedestres, que não era sinalizada e onde ocorriam acidentes constantes.  Propusemos então uma nova sinalização e desenho da esquina, como forma de fazer com que os automóveis diminuíssem a velocidade naquela curva. A execução seria feita com maneira simples, e de baixo custo através de pintura.

Para viabilizar o projeto, organizamos uma campanha de financiamento coletivo pela Benfeitoria. Com a verba arrecadada o projeto teria início. Mas antes, começamos a nos aproximar da comunidade existente no Porto do Rio com o objetivo de apresentar a proposta inicialmente desenvolvida. Apesar de concordarem com a importância do sombreamento e da nova proposta para a travessia de pedestres, os habitantes da região nos mostraram também outras questões prioritárias. Com reuniões semanais na Praça dos Estivadores e eventos organizados aos finais de semana, o projeto foi sendo construído coletivamente. 

Durante todo processo, descobrimos muitas informações sobre a história do lugar, as pessoas e os processos decorrentes da urbanização recente. Muitas dessas narrativas não hegemônicas nos mostraram um outro lado de percepção daquele espaço. Percebemos então a emergência das questões trabalhadas durante o período do projeto, destacando-se a história do local e o processo de urbanização recente, marcado pelas desapropriações, saída da população local e desconsideração da comunidade local no desenvolvimento do projeto.

Organizamos uma exposição aberta na praça que chamamos de “Com que vozes se constrói o espaço público?”. O objetivo foi tornar públicas as conversas que tivemos com a comunidade durante o ano e poder, de certa maneira, materializar as vozes invisibilizadas da comunidade. Além da exposição, a praça foi ativada com mobiliário urbano, os “trapézios”, coberturas e sinalizações.

Os trapézios eram mobiliários urbanos modulares que podiam assumir diversas configurações, permitindo uma grande variedade de arranjos e combinações. Os módulos, diferente dos bancos de concreto existentes hoje, permitiam outras formas de interação entre as pessoas. Podiam ser usados de palco ou de banco, conformados para platéias assistirem filmes, para o descanso de uma pessoa ou para apresentações de artistas.

A cobertura foi subdividida em módulos triangulares. O tecido utilizado foi uma malha furadinha, super leve e com deformação razoável. A forma contém vértices com arestas marcadas pelo cabo de aço e por um tubo de alumínio que dá rigidez às extremidades.

No dia da inauguração, houve apresentação dos grupos artísticos envolvidos no processo de projeto da praça, como o Afoxé Filhos de Gandhi, que tem sua sede em frente à Praça dos Estivadores.

Por fim, elaboramos um guia de ativação urbana, com o intuito de disseminar o conhecimento adquirido e abrir espaço para a incorporação de novas ferramentas, potencializando cada vez mais iniciativas como esta. Nossa proposta não foi criar um manual detalhado de como intervir no espaço público ou ensinar alguém a fazer um projeto. O material, formado por cartas que podem ser combinadas de acordo com os contextos específicos, vêm sendo utilizados também como material pedagógico para se pensar o processo de projeto em arquitetura e urbanismo.

Projeto e produção: Estúdio Guanabara
Co-produção: Clô Comunicação
Colaboradores: Afoxé Filhos de Gandhi,  Zona Imaginária, Instituto de Pretos Novos, Rodrigo Affonso, Matéria Brasil, Upline, Tambores do Maranhão, As caboclinhas,  Zona Imaginária, I love MP, Lívia Almeida, Elisa Viana
Local: Praça dos Estivadores, Rio de Janeiro
Área: 120 m²
Ano: 2016
Apoio: Natura e Benfeitoria