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Ativa Pedaço

O Ativa Pedaço é uma iniciativa que busca melhorar a qualidade da experiência das pessoas no espaço público. Nossa estratégia consiste em lançar mão de ferramentas que permitam a compreensão dos contextos específicos e desenvolver pequenos projetos de intervenção urbana que contribuam para a ocupação da cidade de uma maneira menos funcionalista. Com o intuito de que essas ferramentas possam ser apropriadas por outras pessoas, potencializando a iniciativa, desenvolvemos também um guia ilustrado interativo apresentando o processo percorrido.

A praça dos Estivadores havia acabado de ser inaugurada. Percebia-se que durante o dia era pouquíssimo usada. Propomos então criar mais espaços sombreados na praça para que ela fosse usada durante todo o dia, e não somente como local de passagem. A ideia inicial do projeto era criar uma cobertura que pudesse utilizar as preexistências da praça para ser fixada. Além disso, a facilidade de ser replicada e a modularidade foram questões importantes para o desenvolvimento do projeto.

A cobertura foi subdividida em módulos triangulares, facilmente replicadas em outros contextos. O tecido utilizado foi uma malha furadinha, super leve e com deformação razoável. A forma contém vértices com arestas marcadas pelo cabo de aço e por um tubo de alumínio que dá rigidez às extremidades.

Os trapézios são mobiliários urbanos modulares que podem assumir diversas configurações, permitindo uma grande variedade de arranjos e combinações. Os módulos, diferente dos bancos de concreto existentes hoje, permitem outras formas de interação entre as pessoas. Podem ser usados de palco ou de banco, conformados para platéias assistirem filmes, para o descanso de um passante ou para apresentações de artistas. A viabilização deste projeto específico foi fruto de um outro apoiador, e a demanda por este módulo foi construída coletivamente com a comunidade de artistas locais. Foi desenvolvido um sistema utilizando fabricação digital.

Durante todo processo, descobrimos muitas informações sobre a história do lugar, as pessoas e os processos decorrentes da urbanização recente. Muitas dessas narrativas não hegemônicas nos mostraram um outro lado de percepção daquele espaço. Percebemos então a emergência das questões trabalhadas durante o período do projeto, destacando-se a história do local e o processo de urbanização recente, marcado pelas desapropriações, saída da população local e desconsideração da comunidade local no desenvolvimento do projeto.

Organizamos uma exposição aberta na praça que chamamos de “Com que vozes se constrói o espaço público?”. O objetivo foi tornar públicas as conversas que tivemos com a comunidade durante o ano e poder, de certa maneira, materializar as vozes invisibilizadas da comunidade.

Por fim, elaboramos um livreto ilustrado e aberto, com o intuito de disseminar o conhecimento adquirido e abrir espaço para a incorporação de novas ferramentas, potencializando cada vez mais iniciativas como esta. Nossa proposta não foi criar um manual detalhado de como intervir no espaço público ou ensinar alguém a fazer projeto. Já livreto e suas cartas já foram inclusive utilizados como material pedagógico em sala de aula com alunos de arquitetura e urbanismo.

Projeto e produção: Estúdio Guanabara
Co-produção: Clô Comunicação
Colaboradores: Afoxé Filhos de Gandhi,  Zona Imaginária, Instituto de Pretos Novos, Rodrigo Affonso, Matéria Brasil, Upline, Tambores do Maranhão, As caboclinhas,  Zona Imaginária, I love MP, Lívia Almeida, Elisa Viana
Local: Praça dos Estivadores, Rio de Janeiro
Área: 120 m²
Ano: 2016
Apoio: Natura e Benfeitoria